A nossa Rota do Românico

Três rios - Sousa, Douro e Tâmega - protagonizam um caso de sucesso turístico, reconhecido com vários prémios, nacionais e internacionais. Vamos conhecer algumas pérolas românicas da região, embalados por lendas do tempo da fundação de Portugal. 




Depois da experiência vinícola na bela Quinta da Aveleda (aqui), continuamos a explorar a Rota do Românico, um tesouro guardado no norte de Portugal, entre verdes paisagens, gente genuína e hospitaleira, comida farta e vinhos verdes.

Eles são castelos, torres, pontes, memoriais, mosteiros, igrejas e pequenas ermidas, num total de 58 monumentos, que fazem desta região um destino de referência para os apreciadores de história, em particular do românico, estilo de construção que perdurou entre os séculos XI e XIV (mapa completo aqui). Foi a época de D. Afonso Henriques, o Conquistador, quando se recuperou território aos mouros e se iniciou grandes construções como as Sés de Lisboa, Coimbra e Porto.

A arquitectura românica revela o papel que estas gentes desempenharam na fundação de Portugal. Entre as famílias nobres que aqui habitaram recorde-se os Ribadouro, família da qual descende Egas Moniz, o famoso aio do nosso primeiro rei.

A Rota do Românico estende-se pelo território de 12 concelhos nortenhos: Amarante, Baião, Castelo de Paiva, Celorico de Basto, Cinfães, Felgueiras, Lousada, Marco de Canaveses, Paços de Ferreira, Paredes, Penafiel e Resende. Não sendo possível fazer a rota completa num fim-de-semana, escolhemos alguns pontos mais próximos e partimos à aventura, num domingo bem cedo.


Igreja de São Vicente do Sousa (Felgueiras)
 
Considerada uma jóia do românico em Portugal, a igreja conserva ainda a traça do século XII, destacando-se o pórtico com os seus belos arcos trabalhados e uma rosácea a iluminar o altar-mor.

Escavações recentes descobriram várias sepulturas em redor desta igreja que em tempos fez parte de um conjunto maior, de monges beneditinos.
 




Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro (Felgueiras)
 
Encontramos o Mosteiro de Pombeiro, com mais de mil anos de história e classificado como monumento nacional, na pequena aldeia do Burgo. O edifício actual começou a ser construído na segunda metade do século XII, tornando-se num dos mosteiros beneditinos mais importantes do norte do país.

A sua localização, na intersecção de duas grandes vias medievais da época, revela a sua importância: era ali que os reis se instalavam nas suas viagens e onde os peregrinos recebiam assistência. Entretanto o mosteiro foi bastante alterado, nomeadamente os claustros, que foram remodelados à moda neoclássica. No jardim, junto aos claustros já um pouco destruídos, está uma réplica da fonte setecentista que aqui habitou há longos séculos.







Torre de Vilar (Lousada)
 
A Rota do Românico tem muitas construções religiosas, daí ter incluído esta torre do século XIII ou XIV, também conhecida como a torre dos mouros, que testemunha o poder da família Riba de Vizela, senhores da região. Isto é, existiria ali uma domus fortis, uma residência senhorial fortificada, servindo a torre para transmitir uma imagem de nobreza e poder.

A autarquia criou um parque muito agradável em volta da torre, ideal para um piquenique ou simplesmente para aproveitar uma sombra e ler como se não houvesse amanhã.





Mosteiro do Salvador de Travanca (Amarante)
 
Fundado no século XI pela linhagem dos Gascos (associada a Egas Moniz), o mosteiro era considerado um dos mais importantes templos beneditinos do país. É também um dos mais belos exemplares do românico português, que os historiadores chamam de "românico nacionalizado", devido às características únicas.
 
Ao longo da Idade Média, Travanca cresceu em riqueza e poder, por exemplo, no século XIV, fez a proeza de contribuir com 1800 libras para as Cruzadas. Ainda hoje a torre medieval se ergue orgulhosa deste passado brilhante, quando Travanca era o principal estaleiro construtivo da região.






Mosteiro de S. Martinho de Mancelos (Amarante)
 
Nas mãos dos agostinianos desde o século XII, o singelo mosteiro está associado, em termos estilísticos, ao mosteiro de Travanca, ali perto. Ao lado, no pequeno cemitério, encontra-se o jazigo do pintor Amadeo de Souza-Cardoso, mestre do modernismo português.

Nos anos 90, Xosé Lois García estudou o monumento, identificando na decoração dos capitéis uma intenção deliberada de exaltar elementos naturais, como forma de enaltecer Deus por meio da natureza. Daí a diversidade de elementos vegetais, como lírios, palmeiras, videiras e oliveiras.
 






 

 



Informações úteis
Pode reservar-se a rota, ou mesmo personalizar uma, através da equipa da Rota do Românico. Nós decidimos fazer a visita de forma independente, já que o percurso está bem sinalizado e o site inclui as coordenadas GPS de cada edifício. Optamos por um domingo de manhã e encontramos algumas igrejas abertas para a missa semanal.

Marcação de Visitas (
aqui)
A marcação de visitas aos monumentos deverá ser feita com uma antecedência mínima de 24 horas (48 horas para as visitas ao domingo), garantindo assim a abertura dos monumentos (4,17€/dia) ou o acompanhamento por um técnico do património (8,33€/hora).

Site:
aqui

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19 comentários

  1. De todas as localidades e monumentos só conheço os de Amarante, única localidade por onde já andei.
    Um abraço e bom domingo

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    1. Amarante também é muito interessante. Em breve farei um post sobre ela

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  2. Querida Ruthia
    Aficionada como sou de História (nos meus tempos de estudante era uma cadeira das minhas preferidas) só podia gostar imenso desta postagem.
    Conheço relativamente bem o norte do país, e não há dúvida que aí se encontram muitos dos tesouros - e são muitos! - que povoam o nosso Portugal.
    Obrigada por este "reavivar" da memória.

    Votos de um Domingo feliz
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

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    1. História também era a minha disciplina preferida e na faculdade até me inscrevi numa cadeira de História de Arte, que foi uma delícia

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  3. Que rota linda cheia de coisas a ver, descobrir... Lindos lugares! bjs praianos,chica

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  4. O post mais interessante e fenomenal que já apareceu neste blog!!!

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    1. Eu tinha a certeza que este post ia falar à historiadora que a habita!!!

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  5. Que lindo passeio! Quero voltar ao país para explorá-lo ainda mais, e esta rota com certeza estará no roteiro!

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  6. Já sei para onde eu vou em minha próxima viagem à Portugal! Vou subir e buscar mais um pedaço da fundação e formação desse amado país! Obrigada por este texto!!!! :)

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    1. E faz muito bem, Analuiza. Terá que alugar carro, para fazer esta rota.

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  7. Oi Ruthia!!! Que delícia conhecer esses locais tão charmosos. Rota do Românico, mais um aprendizado. Eu ainda não conheço Portugal, mas, pelo visto, terei que fazer umas duas viagens, no mínimo, para explorar tantas coisas interessantes. Parabéns pelo post!!! Abraços. Carolina.

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    1. Olá Carol. Eu, por outro lado, morei um ano no seu belo país e conheci tão pouco. E agora, acho que nem 10 viagens chegam para conhecer o que quero :)

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  8. Estive recentemente no Mosteiro de Pombeiro.
    Bela mostra esta com que nos contemplas!
    Um brinde com vinho verde!
    Bjs

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    1. Brindemos, com vinho verde porque não?, ao nosso país riquíssimo em história e património.

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  9. Boa tarde, lindos locais repletos de historia para serem visitados, possivelmente os mesmos são desconhecidos da maioria dos portugueses.
    Resto de boa semana,
    AG

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  10. Quanta història, Ruthia!
    Adorei conhecer essa rota, inclusive conhecer um pouco de um estilo arquitetônico que eu desconhecia!
    O mais interessante é que, vendo tua foto do Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, me lembrei da Sé de Braga. Como não vi Braga em tua lista, procurei informação e descobri que eu não estava tao enganada!
    ;)
    Além de perto, ela tem estilo românico em sua composição!

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    1. Não se enganou, Juliana. Existem muitos outros monumentos românicos no país, evidentemente. Em Guimarães também. Mas foi aquela região que se organizou para fazer uma rota com monumentos menos conhecidos e visitados.
      Abraço

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«Viajar torna uma pessoa modesta – vê-se como é pequeno o lugar que ocupamos no mundo.» (Gustave Flaubert)

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